terça-feira, 8 de junho de 2010

uma despedida é também um encontro..

[...] O que é que distingue uma despedida leal de uma cobarde? Uma despedida honesta e leal teria de consistir na tentativa de chegarmos comummente a um acordo sobre aquilo que aconteceu, contigo e comigo. Sim, porque esse é, no fundo e na verdadeira acepção da palavra, o sentido da despedida: uma autêntica despedida permite que duas pessoas, antes de seguirem cada uma o seu caminho, se entendam acerca do modo como se viram e das imagens que cultivaram uma da outra. O que entre elas resultou, e o que fallhou. Para isso é necessário uma certa ousadia: precisamos suportar a dor inerente às dissonâncias. Trata-se de aceitar tudo aquilo que se revelou impossível. Despedir-se é também algo que se faz consigo próprio: assumirmo-nos perante o olhar do outro. Pelo contrário, a cobardia de uma despedida consiste na idealização: na tentativa de mergulhar o passado numa luz dourada e de a excluir da escuridão. O que então se perde é, nem mais nem menos, do que o reconhecimento de si próprio, naquelas precisas características que geraram a escuridão.
[...]

excerto do livro "Comboio para Lisboa" de Pascal Mercier

um tesourinho do passado mais por demais actual..


eu diria que o povo português tem uma longa tradição a respeitar na área em que se aplica a letra da música cantada pelo Sr. Feliz e pelo Sr. Contente.. razão pela qual Portugal está como está..

mas em vez de rir.. eu deveria chorar.. mas ser alegre também é uma característica do povo português..